Clarice LispectorE basta.
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Era um fim de ano igualzinho a este, igualzinho, aliás, a todo fim de ano, com a diferença que eu caminhava por outros corredores naquela época. Devia ser mais ou menos a mesma hora que é agora também, ou perto disso. Eu já havia lido aqueles painéis dezenas de vezes; não tem muita coisa pra fazer num lugar onde ninguém parece te notar. Diferente das outras manhãs nubladas, os corredores estavam vazios. Saí da sala respirando alívio e ansiedade, e enquanto tentava desajeitamente equilibrar mochila, livros e casaco, lembrei-me de que eu não leria mais os painéis. Esqueci o equilíbrio e deixei cair tudo no chão, arranquei uma página de caderno - cálculos feitos à lápis, alguns rabiscos - e anotei o pensamento. Talvez eu já soubesse de cor o conteúdo daqueles painéis de cartolina - Nise da Silveira, Florbela Espanca, Machado de Assis, Zélia Gattai, Jorge Amado, pesquisas de alunos de outras séries - mas em todo caso, achei melhor não brincar com a memória.
Hoje, tomada pelo tédio, resolvi arrumar uma gaveta e bagunçar um baú. Nessa feita que encontro a folha de caderno arrancada, com os dizeres da escritora; reli, relembrei.
E concordei.


2 comentários:
Escrever é com certeza um dos melhores estudos que existe...
falando na Clarice Lispector, depois me lembra de te contar uma história hilária sobre ela
bjs fefe
nossa, não esperava que fosse encontrar tão cedo um texto seu! que bom que meu incentivo fez efeito.
hum..contemporaneo, melancólico, confuso apesar de simples..
bem você! ^^
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