eu tou assim
eu sou tão blablablá
que não posso conter tudo que há em mim
é que eu sou densa
o que eu escrevo é tão profundo
é profano, é fundo
é sagrado, é vago, é raso, é difuso
que a rima não precisa acompanhar
não peço licença nem desculpas
por ser tudo isso que eu sou
porque sou, e você não é
aliás, você quem é?
eu tou assim
e meu eu é tão infinito
que qualquer outro eu que não seja eu, então não é
e todo eu que eu não sou, sou eu também
minúscula em cada linha
dissolvida num vocabulário extenso,
dialética eloquente
alma infinita, abrangente
perdida e achada em sensações infindas que não têm idioma
(pero que tambien soy popular)
faço meu uso da imagem
e parte do meu espelho reflete a cidade
e tudo que há
sou mega, maiúscula e mística
abrigo a vastidão do mundo em cada segundo vão
sei mais de mim do que de mim mesma
e mais do que você jamais vai saber
afinal, quem é você?
sou tão livre que sou mais livre que a própria liberdade
a liberdade quis virar morar em mim
eu impero, eu sou tensa
eu poeto, eu sou artista
meu eu-lírico é mais eu e mais lírico do que outro qualquer
mato a métrica e derrubo a convenção
eu posso, não meço
eu vou do teto ao chão
e não me importo com quem fica pra trás
com quem me traz a solidão
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)


2 comentários:
caraaaaca, tiete, aki vc parece até oswald de andrade... bela inspiração teve vc nesse dia! rsrs
não, eu diria que tem um quê e um érre de Clarice :) a complexidade de vestido de chita e chinelo de dedo.
Postar um comentário