Tento explicar a alguém uma sensação que não lhe é pertinente, mas que para mim é bastante familiar:
É um deserto. Uma secura gélida e escura que atravessa você e te impede de ficar de pé; e encolhido, de músculos retraídos e olhos fechados, só espera que a noite não te engula inteiro.
Então, a manhã traz uma aridez incômoda e tempestuosa, a poeira arranha-lhe violentamente o rosto e torna impossível enxergar um palmo à frente no caminho; é desconfortável andar, você se arrasta.
Quando parece não haver mais nada, finalmente você avista o oásis. Ávido por algo que o mantenha vivo, lança-se desesperadamente, deixa-se encontrar por o que quer que seja. Não há vontade ou qualquer força que o motive, mas não é necessário. Lá não é preciso ir atrás de coisa alguma, tudo acontece naturalmente. E enquanto existe oásis em redor, dá para sorrir e despreocupar e não pensar. Usufrui de cada segundo e atenta em lembrar-se dos detalhes, porque ainda vai viver dessas memórias. Por algum tempo você descansa, se refaz e esquece da vida lá fora - afinal, é muito mais vida quando se está ali dentro.
Mas o oásis termina, e o deserto continua.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
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Um comentário:
gostei da descrição.
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