domingo, 3 de maio de 2009

Anel de Humor

É sempre assim.
Ou melhor, costuma ser assim. É assim frequentemente, pronto, é isso.
Domingo à noite, a mudança-de-humor-de-segunda-feira bate à porta.
Só que ultimamente não acontece apenas no domingo... tem sido mais imprevisível, mesmo.
Ou no caso de uma constante, quando eu entro em certo estado de ânimo que sei que vai permancer por um tempo, é previsível.
Ah, o mau-humor... Mau-humor pode ser muita coisa, na verdade. Comigo pelo menos funciona assim; nostalgia, preocupação, ansiedade, irritação, tristeza, tudo que é fora do 'comum' se converte em mau-humor. Ruim, porque acabo por parecer rabugenta e chata não que na verdade eu não seja isso, aliás eu sou bastante rabugenta e....

Hoje é um desses dias... nada de anormal pra mim, oscilações de humor acontecem numa média de 12x ao dia, uma a cada meia hora, algo meio patológico até. De qualquer forma, hoje parece ter saído do nada absoluto. Não estou para auto-análises hoje, por isso vou deixar os questionamentos desse mau-humor pré-segunda para serem estudados numa próxima ocasião.

Andei relembrando minha infância nas últimas semanas. Tópico pra outra postagem, já que é um assunto inesgotável e um dos meus favoritos, mas um detalhe em especial tem a ver com esse assunto de humores:

Não lembro exatamente em que época, ou com que idade, mas certa vez ganhei um anel de humor. Eu era bem pequena, talvez 6 anos, e ao contrário das minhas primas, detestava acessórios, maquiagem e bijuterias estranhas - presentes preferidos da minha tia, não havia como recusar as quinquilharias coloridas que ela nos dava. Numa dessas férias em Juiz de Fora [ou talvez fosse um fim de semana? não sei dizer, o tempo era diferente quando eu era criança] ela trouxe várias coisas de uma viagem... nada de brinquedos, como eu gostaria, mas com tantas sacolas passando de mão em mão e cada um escolhendo seus presentes, fiquei curiosa e decidi procurar algo interessante antes que a 'feira' acabasse. Não sei o que mais havia entre os objetos, nem lembro se eu cheguei a pegar alguma outra coisa; tudo que eu lembro é que um anel de cor estranha me chamou atenção. Parecia feito de prata envelhecida, com desenhos intrincados nas laterais e uma pedra âmbar vítrea no centro. Largo demais para caber nos meus dedinhos, mas mesmo assim não o larguei.
Como toda criança, logo alguma outra coisa chamou atenção e esqueci o anel folgado em meu indicador. Voltei pros meus brinquedos e a tevê, as primas e o enorme apartamento da avó. Eu devia estar rodando o anel ou trocando-o entre os dedos, não sei, mas olhei outra vez pro meu presente e ele não era mais âmbar; estava azul na pedrinha cristalina. Pensei que tivesse imaginado que era de outra cor, então, mas eu tinha tanta certeza, aquela cor estranha antes... minha tia então explicou que era um anel do humor, do mesmo tipo que minhas primas tinham [ah, entendo agora porque ninguém disputou o meu presente]. Contou que servia pras outras pessoas descobrirem como eu estava me sentindo. De acordo com as cores que o anel mostrasse, todos saberiam se eu estava contente, triste, irritada ou apática.
Ouvir aquilo foi fantástico. Uma das descobertas mais interessantes da minha infância, um verdadeiro achado. 'É só um anel, mas ele sabe como eu tô me sentindo!'. Havia algo de mágico nisso, que me fez gostar ainda mais do objeto. Por dias eu testava minhas alterações de humor; quando acordava, colocava o anel e ele estaria claro, amarelado ou esverdeado, sem características reveladoras de quem ainda estava meio adormecida. Logo mais azul, porque eu não tinha mais de dois motivos pra me irritar quando era criança, então estava sempre contente, uma Poliana. Mais tarde talvez âmbar, a mudança, e depois não dava pra saber de cor ele ia ficar... uma única vez o vi vermelho, provavelmente a ira em alguma brincadeira frustrada com as primas. Ficava verde frequentemente, e eu nunca soube o significado dele... inveja, raiva, ciúme, tristeza?
O anel só me pertenceu durante aquela temporada... não sei que fim levou, minha tia logo providenciou outras coisinhas interessantes e esqueci meu anel de humor durante um tempo. Depois, na primeira ou segunda série, o uso desse acessório virou moda; as meninas de todas as idades tinham, e eu nem mesmo sabia onde se compravam aquelas coisas. Pensei 'Bando de besteiras, a pedra muda de cor porque muda mesmo, não tem nada a ver com humor... anel bobo', mas eu tinha saudade do meu, sim. Ninguém no entanto olhava pra minha mão, nem mesmo para saber em qual dedo eu usava o anel de aro largo, quanto mais para adivinhar o significado da cor que a pedra estaria. O anel era pra mim, sempre foi. Era pra me ajudar a identificar o que acontecia quando de repente eu sentia vontade de fugir, de fazer um drama e chamar atenção de todo mundo, ou de sentar sozinha no banheiro escuro pra pensar. 'Bando de besteiras', claro, um anel não sabe o que se passa na cabeça de ninguém, a pedra não é mística ou coisa assim, não passava de um 'anel bobo' mesmo.

Às vezes até gente grande quer um anel bobo no qual acreditar.
Se eu ainda tivesse um daqueles... hoje em dia eu teria em minhas mãos um alarme para a sociedade, além de um espetáculo particular de mudança de cores!

4 comentários:

Taruga disse...

Provavelmente o meu ficaria numa cor mais avermelhada..ou cinza(?) sei lá qual a cor de tédio
uashusahuas
O meu ainda tava por aqui..todo quebradinho,sem mudar de cor.
Nem lembro quando o ganhei...
Foi divertido saber mais um pouco sobre seu anel do humor,tão falado nas nossas ultimas conversas
rs

Lella disse...

Amei o texto! Fez com que retornassem aquelas sensações peculiares da infancia.. Luzes coloridas no natal, o cheiro de plástico ao abrir a embalagem da barbie, bolhas de sabão, tardes intermináveis, alegria imensa quando brincava com outras crianças(no meu caso eu tinha quase um treco... era muito solitária) anel de humor, eu tenho uma vaga lembrança.. jah devo ter ouvido falar desse anel, mas nunca tive um assim.
agora lendo o seu texto meu deu uma vontade enorme de ter um! parece tão divertido!

ps: continue escrevendo! Adoro ler os seus textos, independente do assunto, voce tem um vocabulário e escrita excelentes! sempre me acrescenta alguma coisa.

beijos

Anônimo disse...

eu já tive um tbm...soh q perdi =(
eu acho esses trecos mt maneiros,inclusiva adorava o meu!!!
lê adorei o post, isso msmo continue escrevendo!!!
bjs

Unknown disse...

já ouvi falar desses anéis, mas nunca cheguei a ver um... tive duvida por um bom tempo de como e se funcionava. legal a relação do teu estado de humor com uma lembrança de infância. tu escreve mt bem. parabens